Direção feminina renova a tragédia em São Paulo.
O Teatro Paulo Eiró recebe, entre 7 e 17 de maio, uma das produções mais instigantes da cena paulistana recente. Sob o comando da diretora Ines Bushatsky, a Cia. Extemporânea apresenta sua releitura de Rei Lear, clássico de Shakespeare que ganha novos contornos e camadas de sofisticação ao ser interpretado integralmente por um elenco de drag queens.
Para o Drama de Honra, observar a trajetória de Ines é acompanhar como a visão estratégica de uma diretora pode transformar um texto canônico em um manifesto estético contemporâneo. A encenação não apenas ocupa o palco, mas estabelece um diálogo inteligente com as novas gerações, equilibrando o rigor da dramaturgia de João Mostazo com o frescor da cultura urbana.

O protagonismo feminino aqui é o eixo central da criação. Bushatsky orquestra a performance de artistas como Alexia Twister — vencedora do Prêmio Shell de Melhor Ator em 2025 — e DaCota Monteiro, provando que a liderança de mulheres na direção é capaz de extrair novas potências de um elenco diverso, sem perder a profundidade política que o tema exige.
A narrativa foca na desintegração de um reino após o banimento de Cordelia, a única filha que recusa o jogo de adulações do pai. Esse recorte sobre as relações de poder e as nuances da convivência entre irmãs ganha uma estética hiperbólica, característica do trabalho das queens, mas amarrada por uma direção técnica impecável e um design de cena que privilegia a escuta.
Nos bastidores, a força produtiva também é majoritariamente feminina. Nomes como Aline Santini na iluminação e Salomé Abdala nos figurinos reforçam que a excelência técnica é o alicerce deste projeto. O espetáculo, que já circulou pelos principais festivais do país, retorna à capital com o selo de fomento à cultura, democratizando o acesso a um teatro de alta qualidade.
O sucesso da montagem, assistida por mais de 10 mil pessoas, reflete a necessidade de um entretenimento que seja, ao mesmo tempo, intelectualizado e acessível. A habilidade de Ines em conduzir essa narrativa sobre loucura e arrependimento posiciona a peça como um evento obrigatório para quem deseja entender as novas direções do teatro brasileiro atual.

É esse o papel do Drama de Honra: destacar como a intelectualidade e o talento de mulheres como Ines Bushatsky redefinem o mercado cultural. O espetáculo é uma celebração da arte coletiva, onde a liderança feminina e a estética drag convergem para criar uma experiência sensorial que reverbera muito além do aplauso final.
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