Montagem colombiana inédita investiga a ancestralidade afrodescendente do ritmo e ocupa o Teatro Ruth Escobar em sessão única.
O tango que conhecemos nos salões e nas milongas carrega em seus passos e acordes uma história muito mais vasta e plural do que o imaginário popular costuma desenhar. É essa arqueologia cultural que o espetáculo colombiano Tango Negro traz ao Brasil, com estreia marcada para o dia 12 de novembro, às 21h, na Sala Dina Sfat do Teatro Ruth Escobar, em São Paulo. A montagem desembarca em solo paulista em sessão única para abrir oficialmente a quinta edição do Festival e Campeonato Metropolitano, promovido pela La Maquina Tanguera.
Com concepção e direção artística de Jorge Padilla, o espetáculo é executado pela prestigiada companhia Corporación Chetango Internacional (mais conhecida como Che Tango), sediada em Medellín e bicampeã mundial de tango na categoria de grupos coreográficos. Com mais de 15 anos de trajetória, o coletivo colombiano propõe uma imersão nos cruzamentos históricos que pariram o gênero, colocando em evidência as fortes raízes africanas, europeias e latino-americanas que se entrelaçam no compasso 2/4.
“Levar o espetáculo ao Brasil é também uma oportunidade de aproximar novos públicos dessa história e mostrar o tango para além da dança”, aponta Padilla, sintetizando a proposta de resgate histórico da montagem. Para o criador, a obra atua como um manifesto cênico: “Tango Negro é um retorno às origens. É descobrir os vestígios que vivem no tango e encontrar uma história que também estava à espera de ser dançada”.
Diálogo transnacional e música ao vivo

Na escala em São Paulo, o rigor coreográfico da Che Tango ganha uma camada sonora robusta com a participação especial do grupo disfruTANGO. Formado por instrumentistas do Brasil, da Argentina e do Chile sob a direção de Xavi Silva — parceiro frequente da La Maquina Tanguera —, o ensemble injeta identidade e frescor na noite.
A instrumentação ao vivo combina voz, contrabaixo, violino, bandoneón e piano, interpretando clássicos do repertório portenho sem perder de vista o tempero latino-americano que une as culturas da região. O resultado é um palco onde o movimento corporal e a pulsação instrumental dialogam de forma visceral.
A força do Festival Metropolitano
A chegada de Tango Negro marca a abertura de peso do V Festival e Campeonato Metropolitano. Criado em 2022 por dois casais de bailarinos profissionais — Carolina Di Monaco, Simo Raucci, Yasmina Mamana e Muller Dantas —, o evento consolidou-se no calendário cultural de São Paulo como um dos principais pontos de encontro para aficionados e curiosos do gênero.
O quarteto, que também comanda a produção geral da vinda da Che Tango ao país, expande os horizontes da iniciativa nesta edição. Para 2026, o festival desenha sua maior programação histórica, reunindo quatro casais de maestros internacionais (três argentinos e um colombiano) ao lado da companhia principal. Além das exibições de gala, o evento mantém sua tradição integradora com três noites de baile que mobilizam, em média, 250 participantes por noite.
Serviço
- Espetáculo: Tango Negro, com a companhia Che Tango e o grupo disfruTANGO
- Quando: 12 de novembro (quarta-feira), às 21h
- Onde: Teatro Ruth Escobar (Rua dos Ingleses, 209 – Bela Vista, São Paulo – SP)
- Ingressos: À venda na plataforma Ticketmaster


