Um dos braços mais vibrantes e aguardados do Festival Satyrianas, o DramaMix se firma a cada ano como um território vivo de experimentação cênica e renovação da palavra escrita. Dedicado a leituras dramáticas e processos autorais inéditos, o projeto ocupa as salas da SP Escola Superior de Teatro, no coração da Praça Roosevelt, transformando encontros em fagulhas de reflexão e inovação teatral.
Na edição de 2026, a escrita de autoria feminina ganha contornos de pura urgência e sensibilidade, propondo ao público provocações que atravessam a memória, a identidade e os silêncios do contemporâneo.
Se você está montando seu itinerário cultural pelo festival, confira as duas obras do DramaMix assinadas por dramaturgas brasileiras que prometem marcar a programação e que você definitivamente não deve perder:
1. Short Stories ou Autobiografia de Todo Mundo, ou Ficções Científicas Antropológicas
- Dramaturgia e Texto: Thaís de Almeida Prado
- Data e Horário: Sexta-feira, 09 de outubro, às 16h00
- Local: SP Escola Superior de Teatro — Sala Vange Leonel
Com uma construção poética e provocadora, a dramaturga Thaís de Almeida Prado convida o espectador a um mergulho nas fronteiras entre o indivíduo e o coletivo. A obra entrelaça o registro íntimo da escrita de si com a especulação filosófica e a ficção antropológica. Ao transformar vivências cotidianas em um espelho do tecido social contemporâneo, a leitura propõe um instigante exercício de alteridade: em que medida a história de um é também a história de todos nós?

“Short Stories ou A autobiografia de todo mundo, ou ficções científicas e antropológicas. São histórias pequenas, histórias curtas de acontecimentos que brincam com a biografia e a ficcionalização disso. Então não são histórias totalmente reais, são histórias que partem da biografia para a ficcionalização. O texto explora bastante temáticas de questão de encontros, muitos encontros afetivos e temáticas sexuais. O texto aborda muito as relações, tanto heteronormativas quanto as homoafetivas e as panafetivas, sem um discurso de julgamento. As pequenas histórias vão mostrar isso de alguma maneira engraçada”, disse.
“Talvez em se tratando de performance, eu faça uma surpresinha e a gente experimente algo relacionado à situação atual do país”.
Thais de almeida Prado, não binária socializada como mulher cis
2. Peixes não gritam
- Dramaturgia e Autoria: Vera de Sá
- Data e Horário: Segunda-feira, 12 de outubro, às 20h00
- Local: SP Escola Superior de Teatro — Sala Vange Leonel
- Ação Especial: Lançamento presencial do livro homônimo às 20h30, no Hall da SP Escola Superior de Teatro
Responsável por encerrar a rota do DramaMix nesta edição, a dramaturga Vera de Sá apresenta a leitura dramática de peixes não gritam. O texto lança luz sobre o abafamento dos afetos, a surdez do cotidiano e a busca por brechas de expressão em um mundo saturado de ruídos, mas escasso de escuta real. Logo em seguida à apresentação, às 20h30, o público terá a oportunidade de participar do lançamento oficial do livro e autografar o exemplar diretamente com a autora no Hall do espaço.

O texto é uma livre adaptação de um conto do meu livro “Peixes não gritam”, que será lançado no dia da apresentação. Dois atores interpretam o mesmo personagem em idades diferentes, um é a memória do outro. Trata da história do próprio desejo, da relação com o poeta que moldou a existência do velho e da esperança de reencontrá-lo no pó da extinção. O medo é que seu passado não garanta essa epifania. Há uma tensão com a memória, portanto com a história. – Vera de Sá
A força da Dramaturgia Feminina
A presença de Thaís de Almeida Prado e Vera de Sá no DramaMix evidencia o vigor do pensamento cênico feito por mulheres. Em um festival marcado pela democratização do acesso e pela ocupação dos espaços públicos, acompanhar essas leituras é testemunhar de perto a força e a diversidade da escrita que redesenha o teatro brasileiro contemporâneo.



