Memória negra e ancestralidade sob o olhar de mulheres na arte.
O Grupo Andaime celebra quatro décadas de estrada com o espetáculo Massapê, que estreia no Sesc Belenzinho. Embora a peça narre a trajetória de Antonio Chapéu, o Drama de Honra volta seus holofotes para a arquitetura intelectual e sensível por trás da cena: o texto é assinado pela dramaturga Solange Dias, uma voz fundamental para costurar as memórias da família Silva com a delicadeza e a crueza que a história exige.
A narrativa mergulha na saga de uma família que deixou Minas Gerais para enfrentar a lida nos canaviais de Piracicaba. Aqui, o recorte feminino do nosso portal identifica a importância de mulheres como Solange Dias e a diretora musical Juh Vieira. Elas são responsáveis por transformar relatos de trabalho análogo à escravidão e resistência em uma dramaturgia poética, garantindo que a ancestralidade negra seja tratada com o respeito e a elegância que merece.
É fascinante observar como a escrita de Solange não apenas documenta, mas eleva o cotidiano ao status de lírico. O espetáculo utiliza o barro da existência para moldar um palco de resistência, onde o passado e o presente coexistem. Para o público Millennial e Gen Z, que busca conexões reais e justiça histórica, Massapê entrega uma experiência estética que foge do óbvio e abraça a complexidade das nossas raízes.
A sonoridade da peça também carrega o DNA feminino. As composições originais de Juh Vieira guiam o espectador por um território híbrido entre o quintal da infância e o rito de continuidade. Essa direção musical é o que amarra os “causos” e as tradições de Folia de Reis, trazendo uma vibração moderna para elementos da cultura popular que, muitas vezes, o sistema tenta apagar.
No Drama de Honra, sempre reforçamos que por trás de grandes projetos coletivos, há mentes femininas articulando a sensibilidade. Além da dramaturgia e música, a ficha técnica conta com talentos como Marisa Bentivegna na iluminação e Juliana Bertolini no figurino, provando que a estrutura estética da obra é sustentada por mulheres que dominam seus ofícios com maestria e autoridade técnica.
Mesmo celebrando a vida de Antonio Chapéu e contando com a direção de Rogério Tarifa, o espetáculo se torna um manifesto sobre pertencimento que ressoa em qualquer pessoa que já buscou uma vida melhor. É uma obra sobre o “ser brasileiro” contada através de memórias que foram guardadas no corpo e agora ganham voz, movimento e luz através de um coletivo potente.
Assistir a Massapê é validar a importância de grupos como o Andaime, que resistem há 40 anos no cenário cultural paulista. É um convite para entender que a cultura popular não é estática; ela é viva, preta e, no que depender da nossa curadoria, será sempre celebrada através do protagonismo feminino que a sustenta nos bastidores e nos palcos.
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