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EXCLUSIVO: Como a produção de “Cinco Tipos de Medo” abraçou a maternidade de Bárbara Colen no set

Atriz compartilha a experiência de vivenciar o set acompanhada do filho e celebra a postura acolhedora da equipe, provando que o cinema ganha força quando prioriza o fator humano.

A indústria audiovisual frequentemente falha com as mulheres que decidem ser mães, mas uma história de bastidor que o Drama de Honra traz com exclusividade prova que o cenário pode ser diferente. A atriz Bárbara Colen, elendo do premiado longa Cinco Tipos de Medo, viveu uma experiência de suporte prático e emocional que ainda é rara nos sets brasileiros, transformando o que poderia ser um obstáculo em potência artística.

Nossa equipe foi atrás desse relato para entender como a produção, liderada pelo diretor Bruno Bini, estruturou uma rede de apoio real para Bárbara. Em pleno puerpério, a atriz viajou para Cuiabá com uma logística que contemplava sua nova realidade, provando que o talento feminino não precisa ser pausado pela maternidade quando existe infraestrutura e humanidade.

Para nós, do Drama de Honra, destacar esse recorte é essencial: a sensibilidade da produção em oferecer pausas para amamentação e um espaço privativo no set não é um luxo, mas um direito que garante a dignidade da profissional. É o tipo de narrativa positiva que raramente ganha os holofotes, mas que define novos padrões de trabalho para as mulheres na cultura.

Nesta conversa franca, a atriz detalha como a produção garantiu desde itens básicos, como banheira para o bebê e uma babá exclusiva, até a chance de levar sua rede de apoio familiar. Com gravações estrategicamente espaçadas, Bárbara ainda compartilha como a maternidade real transbordou para a ficção em uma cena emocionante com um bebê no set.

Confira agora os detalhes exclusivos dessa experiência transformadora.

1. Bárbara, você gravou Cinco Tipos de Medo em um período muito recente ao nascimento do seu bebê. Como foi o processo de decisão para aceitar esse desafio e viajar para Cuiabá nesse momento? Bárbara Colen: Foi realmente um desafio, porque era uma questão muito delicada sair no puerpério, ir para Cuiabá, que é um lugar longe e desconhecido. Mas meu marido e minha mãe me apoiaram muito e a produção foi muito solícita. Eles se prontificaram a arrumar tudo: passagens para todos, acomodação bacana e até uma babá em Cuiabá. Senti que meu desejo estava em fazer o filme. Eu sentia que o projeto me colocaria em movimento diante do caos subjetivo que eu vivia. O filme tocava em maternidade e luto, e como eu tinha perdido meu pai recentemente, senti que poderia transmutar muita coisa através dessa história.

2. Muitas atrizes relatam o medo de serem “invisibilizadas” ou perderem oportunidades após a maternidade. Você sentiu que a sensibilidade do Bruno Bini e da produção foi um diferencial para que você se sentisse segura no set? Bárbara: Se eu não tivesse tido esse apoio, teria sido um processo muito violento, e foi o contrário. Senti que o carinho e as minhas demandas de maternidade eram prioridades. O Carin me acompanhou em alguns momentos; quando ele precisava amamentar, a gente parava. O planejamento de diárias foi muito suave, com folgas de quatro dias entre uma filmagem e outra. Tudo foi pensado levando em conta a minha necessidade. Foi maravilhoso e surpreendente encontrar essa afirmação de valor logo no meu primeiro trabalho pós-maternidade.

3. Nos bastidores, comenta-se que houve uma estrutura especial para que você pudesse exercer a maternidade e o trabalho simultaneamente. Poderia detalhar mais essa rede de apoio? Bárbara: A produção providenciou toda a estrutura física, de berço a bacia de água. Também me apresentaram a Beth, uma babá maravilhosa de Cuiabá que foi determinante. Eu tinha um carro próprio para que o Carin pudesse ir e voltar do set comigo, e tínhamos um espaço privativo nosso para amamentar com tranquilidade, seja com meu marido, minha mãe ou a Beth. Às vezes o set parava para o Carin poder amamentar e tudo acontecia muito no meu tempo.

4. Como essa estrutura logística impactou a sua performance artística? Você acredita que um set “amigo da mãe” resulta em uma entrega criativa diferente? Bárbara: Com certeza resulta em uma atriz feliz e potente. A gravidez e o puerpério foram os momentos criativos mais vibrantes da minha vida. Se as pessoas ao redor entendessem esse potencial em vez de tratar as mães como um “problema”, muita coisa seria diferente. Minha performance no filme é resposta do acolhimento que recebi. Foi uma confirmação de que a maternidade pode e deve ser respeitada como um valor.

5. Existe uma cena emocionante onde sua personagem canta para um bebê. Sendo você mãe de um recém-nascido na vida real, como foi transbordar esse sentimento para a ficção? Bárbara: O difícil naquela cena era não chorar de maneira descontrolada. O bebezinho da cena era filho de um casal de imigrantes em situação de vulnerabilidade, o que tornava tudo ainda mais forte. Quando eu olhava para aquilo, era 100% a Bárbara ali. Não consigo dividir o que é personagem e o que sou eu; nesse processo, estava tudo misturado.

6. No Drama de Honra, discutimos muito o espaço da mulher nas artes. Você acredita que a experiência de Cinco Tipos de Medo deveria servir de modelo? O que ainda falta na indústria? Bárbara: Deve ser modelo total. Muitas vezes somos excluídas antes mesmo do convite. Já soube de projetos em que a produção me desconsiderou de cara porque eu era mãe, sem nem me deixar falar sobre minha logística. Fiquei sabendo que a produção desse outro filme me desconsiderou, o diretor queria me chamar e a produção falou: “Não, ela não pode porque ela ela é mãe agora, ela teve filho recentemente, então ela não pode fazer. A logística dela vai ser muito difícil”. Isso é cruel. Vivemos em um modelo de mundo onde a reprodução da espécie virou um “problema”, o que mostra uma sociedade adoecida. É preciso ter mais carinho e cuidado com as mães e repensar esses processos.

  • Pioneiro ao ser o primeiro longa-metragem de ficção em Mato Grosso a receber o selo de coprodução da Loop, Cinco Tipos de Medo é um drama urbano dirigido por Bruno Bini que entrelaça cinco histórias conectadas por um trauma comum em Cuiabá. O elenco estelar é encabeçado pelo protagonismo de Bárbara Colen e Bella Campos, contando ainda com Xamã, Rui Ricardo Diaz, Jonathan Haagensen e João Vitor Silva. Na trama, as trajetórias de uma enfermeira, um jovem recém-formado, um policial, um DJ e um criminoso se cruzam em uma narrativa sobre medo, redenção e a busca por conexão em uma metrópole pulsante, reafirmando a força das mulheres em papéis complexos e centrais no cinema nacional.


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Jornalista, dramaturga e Especialista em Políticas Públicas. Sussuca Alencar consolidou sua carreira em grandes potências da comunicação brasileira, com passagens pelo SBT, G1, rádio Centro América FM e atuação no grupo Globo. Com uma visão estratégica que defende a cultura como um negócio rentável e essencial para a economia criativa, ela fundou o Drama de Honra, plataforma que une curadoria artística e viabilidade comercial com foco na cultura feminina.

Sua expertise transita entre a gestão de projetos culturais e a cobertura de grandes eventos, como a SPFW, onde colaborou com marcas líderes de moda e beleza. Atualmente produtora de TV, podcaster e gerente de projetos, Sussuca utiliza sua bagagem como ex-atriz e dramaturga para criar narrativas que conectam marcas a audiências qualificadas. Como heavy user de redes sociais, ela domina a comunicação multiplataforma, transformando o entretenimento em uma ferramenta poderosa de investimento e impacto social.

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