Em cartaz no Teatro Cultura Artística até 3 de maio, “PEÇA INFANTIL – A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Roobertchay” tem ingressos à venda pela Ticketmaster.
Para situar você, caro Dramalovers: Cavalheiro Roobertchay traz ao palco o ator Chay Suede (ou Roobertchay Domingues da Rocha Filho, seu nome de registro) em um papel que desafia a gravidade da memória. Ele interpreta um homem perdido em seus próprios labirintos mentais. O problema é que a direção, estritamente masculina, flerta tanto com o hermetismo — aquele estilo fechado e difícil de penetrar — que quase esquece que até os delírios mais nobres precisam de uma base. E essa base, nesta peça, é inteiramente garantida pelo olhar feminino da cenografia.
O espetáculo utiliza uma linguagem aristocrática para narrar fatos populares, o que gera um efeito magnético. O texto é cheio de digressões — aqueles desvios de assunto que nos levam para longe da história principal apenas para nos perder em reflexões filosóficas. É uma estrutura inspirada no livro Tristram Shandy, de Laurence Sterne. Contudo, a direção parece ignorar que, no livro, o herói só consegue divagar porque existem mulheres ao redor garantindo que o mundo não desabe. No palco, quem cumpre esse papel de “sustento” é o espaço criado por uma mulher.
É aqui que a genialidade de Daniela Thomas brilha. Como cenógrafa, ela não apenas “decora”; ela constrói o universo que impede que a peça se torne um solilóquio isolado. Daniela transforma o palco em um playground de luxo, onde o “faz de conta” é levado a sério. O protagonismo feminino aqui é técnico e intelectual: ela expõe as engrenagens e prova que a beleza está na coragem de mostrar a construção da ilusão. Enquanto o foco da direção é o homem, o foco de Daniela é o mundo que o torna possível.
O painel tecnológico desenhado por Thomas funciona como um segundo personagem. Ele dialoga com Cavalheiro Roobertchay através de projeções de obras clássicas e textos que surgem como flashes de consciência. Ora essas imagens validam o que ele diz, ora o desmentem categoricamente. É essa plasticidade digital que dá o tom moderno à montagem, provando que o teatro brasileiro atinge seu ápice quando a tecnologia é usada para ampliar a humanidade, sob a batuta de uma estética feminina afiada.
Toda essa piração visual evoca o espírito de Alice. O espetáculo parece viver a máxima que ela diz à sua gata: “É isso, Dina… se esse mundo fosse só meu, tudo nele era diferente. Nada era o que é, porque tudo era o que não é”. A escolha de uma estética que remete à infância para tratar de temas complexos é o grande trunfo. É um olhar lúdico, quase artesanal, mas executado com a precisão matemática que só Daniela Thomas conseguiria sustentar diante de uma condução tão rígida.
No fim das contas, a obra vale pelo embate: o tecnológico versus o manual, o sério versus o lúdico. É um lembrete de que o palco é o único lugar onde a mentira é a forma mais pura de honestidade. O ritmo é ágil e impede o tédio. Se você quer ver como a sensibilidade de uma cenógrafa consegue salvar um espetáculo de se fechar em si mesmo, o Cavalheiro Roobertchay é a sua parada obrigatória para entender a força do feminino nos bastidores.
#TeatroSP #DanielaThomas #ChaySuede
Vendas exclusivas através da Ticketmaster: https://www.ticketmaster.com.br/event/a-vida-e-as-opinioes-do-cavalheiro-roobertchay-sao-paulo
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