Em celebração aos 40 anos de carreira, atriz reconstrói a Rainha Gertrudes.

Para o Drama de Honra, entrevistar Susana Ribeiro neste momento é tocar no cerne da resistência artística feminina. No cenário de ruínas do Nu Cine Copan, em São Paulo, ela dá vida a uma Gertrudes que desafia os 400 anos de estigmas que pesam sobre a mãe de Hamlet. Em uma conversa franca, Susana revela que sua Rainha não é apenas uma peça no tabuleiro dos homens, mas uma mulher que usa o desejo como ferramenta de sobrevivência política.
Confira os principais pontos dessa conversa sobre poder, silenciamento e as quatro décadas de palco de uma das nossas maiores atrizes.

A rainha entre ruínas e desejos
DH: Gertrudes é cercada de julgamentos. Qual foi o seu ponto de partida para essa versão de 2026?
Susana: Meu ponto de partida foi pensar no desejo dela. A adaptação do Bernardo Marinho e do Rafael Gomes foca nas paixões. Eu me perguntei: o que essa rainha quer? O que ela deseja? Ela quer se manter no poder e afirmar sua escolha de se casar novamente perante toda a Dinamarca. O bonito é que ela faz isso em um cenário de ruína, um mundo desconstruído, apostando no próprio desejo para sobreviver.
DH: O cenário do Copan em obras traduz as crises da personagem?
Susana: Totalmente. Ela é uma sobrevivente política e, ao mesmo tempo, vítima das estruturas. Ela aprendeu a raciocinar para se manter em pé o maior tempo possível, sabendo que pode perder o trono a qualquer momento. Sua verdadeira força está em afirmar seu desejo até sobre como quer terminar sua própria história. Isso é agência; uma forma de ter controle sobre esse mundo.
DH: O que uma personagem de 400 anos diz à mulher brasileira de hoje?
Susana: Infelizmente, ainda diz muito sobre como pagamos um preço alto ao afirmarmos nosso desejo. Estruturalmente, pouca coisa mudou, o que é frustrante. Mas é um recado para a mulher contemporânea ter força para lutar pelo seu espaço e não aceitar o silenciamento. É um reflexo da nossa história que ajuda a pensar o presente.

DH: Qual o grande dilema desta Gertrudes?
Susana: Eu a decidi fazer muito apaixonada pelo Rei Cláudio. O dilema é entre manter esse desejo e paixão — custe o que custar, mesmo que traga o caos — ou abrir mão de tudo pelo filho herdeiro. Se ela entrega a coroa ao filho, ela deixa de ser rainha. É o embate entre o lugar que ela ocupa, sua paixão, e a responsabilidade da maternidade. É uma mulher atingida, como muitas de nós.
40 anos de estrada e o que vem por aí
Celebrando quatro décadas de dedicação às artes, Susana Ribeiro não dá sinais de pausa. Pelo contrário, sua inquietude artística a leva agora para trás das câmeras e para novos desafios nos palcos.
- Direção em dose dupla: Em abril de 2026, Susana estreia na direção ao lado de Pedro Brício. O projeto traz dois textos de Daniel MacIvor (mesmo autor de In On It), com um elenco feminino de peso: Lucia Bronstein, Luisa Micheletti e Magali Biff.
- Streaming: A atriz confirmou que há uma série em negociação para as plataformas de streaming, mantendo o mistério sobre os detalhes, mas garantindo que o audiovisual continua em seu radar.
“Completar 40 anos de carreira em cena é onde continua a minha grande paixão. Estou muito feliz.” — Susana Ribeiro.
Susana Ribeiro, Teatro, Hamlet, Protagonismo Feminino, Drama de Honra.
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