Luc Besson retorna ao cinema com June e John, um romance melancólico que busca explorar a fragilidade emocional de seus protagonistas, especialmente John, um homem ansioso, introspectivo e desconectado do mundo ao seu redor. Filmado de maneira intimista, com uma equipe reduzida e câmeras de iPhone durante a pandemia, o longa se propõe a ser um estudo emocional cru e sincero e, até certo ponto, consegue.
O destaque do filme está justamente na forma como retrata a ansiedade e a solidão da sociedade moderna. John, interpretado por Luke Stanton Eddy, é um personagem que carrega o peso de uma vida sem rumo, e sua interação com June (Matilda Price), uma mulher peculiar e cheia de camadas, é o que dá algum movimento à narrativa. A química entre os dois é, ao mesmo tempo, desconcertante e intrigante, sustentando grande parte da tensão emocional do filme.
No entanto, apesar da boa intenção e de algumas cenas tocantes, June e John sofre de um problema difícil de ignorar: sua profundidade é só uma ilusão. O filme se apresenta em vários momentos como mais complexo do que realmente é, usando a condição de June como muleta narrativa para justificar cenas desconfortáveis, quase constrangedoras, que beiram o estranho sem necessidade. Em vários momentos, o tom parece perdido, como se o filme estivesse envergonhado de sua própria ousadia e tentasse suavizar isso.
Essa superficialidade faz com que June e John pareça, por vezes, mais uma coleção de intenções do que uma história com começo, meio e fim. A sensação é de que estamos assistindo a um diário emocional que nunca se permite verdadeiramente se aprofundar, contentando-se em sugerir temas (trauma, saúde mental, alienação) sem os explorar de forma concreta.
Sinopse
Preso em uma vida monótona, John conhece a enigmática June. Juntos, começam uma viagem caótica que desafiará as leis, seus limites e o amor.
Por Giovana Sedano – jornalista e escritora




