Investigação teatral revisita mistério dos anos 90 com protagonismo feminino.
O Sesc Ipiranga recebe, a partir de 12 de junho, a instigante peça “O Caso Lorena”. O espetáculo é um marco importante na cena cultural paulistana, consolidando as estreias de Carolina Manica na direção e de Julia Ianina na dramaturgia. Seguindo a linha editorial do Drama de Honra, que destaca o trabalho e a trajetória de mulheres nas artes, a montagem oferece um olhar apurado sobre a construção narrativa feminina no teatro contemporâneo.
A trama mergulha em um suposto crime ocorrido nos anos 90, utilizando documentos, registros policiais e diários como matéria-prima. Julia Ianina divide o palco com Camila Raffanti e Rodrigo Bolzan, conduzindo o espectador por uma teia de versões contraditórias. A obra não se limita a relatar fatos, mas investiga a própria natureza da memória e as lacunas que permanecem quando a verdade se torna fragmentada.
Sob a perspectiva da direção, Carolina Manica transforma a investigação em uma experiência sensorial e psicológica. A encenação aposta em uma atmosfera de suspense documental, onde cada detalhe cênico funciona como uma camada da dramaturgia. A peça questiona o fascínio coletivo por histórias de violência, propondo uma reflexão sobre a fronteira tênue entre o eu e o outro, em uma jornada que explora as zonas mais obscuras da psique humana.
O projeto conta com uma equipe criativa de peso para sustentar essa atmosfera onírica. A iluminação de Gabrielle Souza e o cenário e figurino de Kleber Montanheiro compõem o visual da montagem, enquanto a trilha sonora original de Arthur Decloedt, executada ao vivo, intensifica o tom cinematográfico. A colaboração entre esses profissionais reforça a qualidade técnica e a sofisticação da produção.
Para o Drama de Honra, é fundamental evidenciar como a escrita de Julia Ianina, desenvolvida sob orientação de Silvia Gomez e Ângela Ribeiro, ganha vida através da visão de Carolina Manica. A peça dialoga com temas contemporâneos como a polarização e a violência, elevando o crime a um ponto de partida para uma investigação metafísica sobre identidade, desejo e alteridade.
A curta temporada no Sesc Ipiranga é um convite imperdível para quem busca um teatro que instiga o pensamento. Além das apresentações regulares, a produção oferece sessões acessíveis, incluindo recursos de Libras, reafirmando o compromisso com a democratização do acesso à cultura. Os ingressos já estão disponíveis para o público.
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