O filme nos lembra que nem toda beleza reside na perfeição, mas na coragem de viver o que a vida oferece.
Por Sussuca – Jornalista e dramaturga
Nesta quinta-feira, 25 de setembro, estreia nos cinemas o filme dirigido por Mika Gustafson, longa que venceu o prêmio de melhor direção na mostra Orizzonti do Festival de Veneza
A narrativa de Paraíso em Chamas se desenrola em torno de três irmãs – Laura (16), Mira (12) e Steffi (7) – que enfrentam um verão sozinhas. Sem adultos para guiá-las, suas vidas se tornam um espaço de liberdade absoluta, onde a euforia de brincar sem limites se mistura à incerteza e ao medo que a ausência de supervisão impõe. Elas improvisam uma rotina, um cotidiano feito de improvisos que, para um olhar externo, seria desesperador.
O que parece uma situação de descuido, rapidamente se transforma em um drama urgente quando o conselho tutelar decide avaliar o futuro das meninas. A partir desse momento, a trama ganha um contorno de suspense e Laura, a irmã mais velha, assume o papel de protetora e estrategista. Seu plano desesperado de convencer uma mulher a se passar por sua mãe é mais do que uma tentativa ingênua; é uma metáfora poderosa sobre como a infância, diante da negligência, cria mecanismos de sobrevivência.
O que o filme nos mostra é uma verdade incômoda: a vida real, fora do padrão idealizado de famílias perfeitas, tem sua própria beleza. Como espectador, sentimos um desejo quase incontrolável de intervir, de “pegar as meninas no colo” e escrever uma história perfeita para elas. Mas Paraíso em Chamas nos força a aceitar que a vida segue seu próprio fluxo, e é justamente nesse movimento, imprevisível e cheio de frios na barriga, que encontramos a beleza.
A direção nos permite sentir a graça em ver a vida sendo vivida de forma crua, sem o filtro da perfeição. A tensão do filme não está apenas na chegada iminente da assistência social, mas na forma como a responsabilidade precoce dissolve a fantasia e confronta as meninas com um abismo de verdades. O que começa como uma brincadeira de faz de conta se encerra com a dura realidade de uma luta pela união da família, nos lembrando que, mesmo no caos, o amor e a resiliência podem florescer.
O filme expõe a desigualdade social e a ausência do Estado, mostrando como o peso de um mundo adulto e suas responsabilidades recaem sobre as protagonistas, denunciando a infância roubada.
Sinopse :

As protagonistas são Laura (16 anos), Mira (12) e Steffi (7), que se mantêm unidas durante o verão, em meio a uma rotina marcada por liberdade, improviso e ausência de adultos. Quando o conselho tutelar convoca uma reunião para discutir o futuro delas, Laura tenta proteger as irmãs sem contar o que está acontecendo. Em segredo, ela busca uma mulher que aceite se passar por sua mãe para evitar que sejam colocadas em lares separados. À medida que a data do encontro se aproxima, as tensões emergem e a dinâmica entre as três começa a mudar.
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