Artista baiana desconstrói mitos do envelhecimento.
A atriz e dramaturga baiana Fabiana Mattedi expande seu território artístico ao estrear “Notes on Collagen: Notas sobre Colágeno” no prestigiado New York City Fringe Festival. O espetáculo marca o primeiro monólogo de sua carreira, consolidando sua trajetória internacional iniciada em 2017. Com apresentações em abril, a obra utiliza o humor ácido para investigar as pressões estéticas que recaem sobre a mulher imigrante de meia-idade.
A semente do projeto germinou de uma observação cotidiana no metrô nova-iorquino, onde a artista testemunhou jovens obcecadas pela perda precoce de colágeno. Esse gatilho transformou-se em uma dramaturgia autoral e potente, escrita originalmente em inglês. A peça expõe as feridas do etarismo, questionando as promessas de segurança e confiança que a sociedade condiciona exclusivamente à juventude e à aparência física.

Com uma formação sólida que atravessa a Universidade Federal da Bahia e a Actors College em Sydney, Fabiana carrega um repertório técnico de excelência. Sua transição dos palcos brasileiros e da TV Globo para a cena Off-Broadway demonstra a resiliência da mulher nas artes cênicas globais. Em 2024, ela já havia reafirmado seu protagonismo ao estrelar a produção de “Sins of the South” na plataforma Oxygen True Crime.
A relação de Mattedi com a literatura de Clarice Lispector também moldou sua identidade artística profunda e reflexiva. Indicada anteriormente como Melhor Atriz Coadjuvante pelo Brazilian International Press Awards, ela traz para este novo monólogo a densidade emocional necessária para tratar de temas invisibilizados. Sua atuação é um manifesto de resistência contra o apagamento sistemático das mulheres que amadurecem sob o olhar público.
“Notas sobre Colágeno” não é apenas um relato sobre beleza, mas uma análise crítica sobre os paradoxos do poder e do veneno contidos nos padrões estéticos. O texto confronta a “sutileza violenta” das expectativas sociais, convidando o público a encarar as forças invisíveis que moldam a autoimagem feminina. É um exercício de desconstrução que utiliza o palco como espaço de libertação e empoderamento real.
Ao levar o debate sobre o envelhecimento para um dos maiores festivais de teatro do mundo, Fabiana Mattedi posiciona-se como uma voz fundamental. Sua trajetória inspira outras profissionais a ocuparem espaços de liderança criativa e narrativa. O espetáculo reafirma que o talento feminino não possui data de validade, ganhando novas camadas de sofisticação e relevância com o passar do tempo.
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